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Após 34 anos, relógios não serão mais adiantados para horário de verão

Amanda Biasi

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Toca o despertador. Você vê que ainda está à noite, então aperta o botão soneca. Ufa, só mais cinco minutinhos. E momentos depois, aquele som irritante novamente, como se nem 30 segundos tivessem passados. Um galo canta e, finalmente, você se conforma: é hora de levantar, mesmo sem uma luz, nem que tímida, do sol.

Amado por uns e odiado por outros, o horário de verão sempre foi controverso. Durante todo o período em que vigorou, se questionava a eficiência na economia de energia, a justificativa inicial para que existisse e a alteração na rotina da população. Ele valia nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e no Distrito Federal entre outubro e fevereiro.

Mas, pela primeira vez em 34 anos, a população não precisará adiantar o relógio em uma hora. Em 25 de abril deste ano, o presidente Jair Bolsonaro assinou o decreto que acabou com o horário de verão. A medida foi instaurada por Getúlio Vargas em 1931 e em 2008 se tornou permanente. Em 2018, o ex-presidente Temer chegou a sinalizar o término do horário, mas, em meio a acusações de obstrução judicial e organização criminosa, desistiu da mudança.

A reportagem conversou com moradores da região para entender quais benefícios e prejuízos que o fim do horário poderá acarretá-los. José Santino Cavalcanti, de 50 anos, é de Ituiutaba (MG), mas mora em Uberlândia há 40 anos e trabalha como pedreiro há oito. Para ele, a mudança é positiva. “É preciso acordar muito cedo [no horário de verão]. No horário de dormir e descansar não conseguíamos porque ainda estava claro ou muito quente. Aí havia um desgaste maior, fazendo com que o meu rendimento no trabalho diminuísse”, diz.

Pedreiro José Santino Cavalcanti acha a mudança no horário positiva | Foto: Arquivo Pessoal

Thainá Silva é atendente de televendas em Uberlândia e tem 25 anos. Ela diz que vai sentir de saudade de adiantar o relógio nesse período. “O horário de verão sempre foi melhor para mim porque eu conseguia aproveitar mais o dia, dava para chegar do trabalho e caminhar, pois ainda estava claro”, afirma. Silva conta ainda que, por mais que dormisse a mesma quantidade de horas, sentia que o corpo ficava mais disposto e conseguia produzir mais no decorrer do dia.

Guilherme Fabiano, de 38 anos, sente o mesmo que Cavalcanti: o corpo não descansa. “Nunca gostei. Acho que ele [o horário de verão] descontrola completamente nosso organismo e faz mal à saúde. Para quem não gosta de acordar cedo igual a mim, é um problema, já que não consigo dormir mais cedo, por questões biológicas e pelo calor que faz na região. Então, eu durmo mal, acordo cansado, e fico assim o dia todo, nada rende”, conta. Fabiano trabalha como editor de áudio em uma rádio de Uberaba.
 
CORPO HUMANO
Cardiologista Rodrigo Penha explica que estações do ano interferem no ritmo do nosso organismo | Foto: Arquivo Pessoal

De acordo com o cardiologista Rodrigo Penha, do Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU), as estações do ano naturalmente interferem no ritmo do nosso organismo, já que os dias se tornam mais ou menos longos. A produção de hormônios, como os de crescimento e os do sono, fica alterada. O horário de verão acaba, então, prejudicando ainda mais o corpo. “Nós tínhamos um período de adaptação, naquelas primeiras semanas, que criava instabilidade, um pouco de estresse, ansiedade. Como não vai haver a mudança, o dia vai continuar seguindo natural, isso é até mais benéfico para o organismo do que o ritmo artificial provocado pelo horário de verão”, afirma. Ou seja: mudança menos brusca para os dias mais longos é positiva.

Ainda segundo o médico, o corpo não deve sentir grandes diferenças entre este ano e 2018, que teve o horário diferente. “A dica é: se a pessoa gosta do horário de verão, ela pode naturalmente fazer com que o organismo dela acorde mais cedo. Ela pode acordar mais cedo e aproveitar a luz do dia para fazer atividade física, uma caminhada, um esporte”, exemplifica.

É o caso do uberlandense Bruno Mendes, de 32 anos, que trabalha como gerente de operações. Para ele, o horário de verão era algo cultural e um período para relaxar. “Digo relaxar porque era o momento que você supostamente tinha mais tempo para ir ao parque, fazer um exercício ao ar livre. Lógico que ainda temos o mesmo tempo, mas não temos mais com o sol brilhando no céu”, explica. “Torço para que um dia volte. Nos adaptamos rápido a qualquer adversidade e quando começamos a gostar, o horário acabava”.

O cardiologista Penha explica que a fácil adaptação ao novo horário é mais comum nas pessoas diurnas. “Existem basicamente dois tipos de fisiologias: as pessoas noturnas, que ficam mais dispostas no período da noite, e as pessoas que são mais diurnas, que acordam mais cedo e têm sono mais cedo. Então essas pessoas que acordam mais cedo, elas gostam mais do horário de verão porque é mais fisiológico para elas”, diz.
 
ELETRICIDADE
Professor José Rubens Macedo: “medida é mais eficaz em países próximos aos polos” | Foto: Arquivo Pessoal

Desde quando foi instituído, em 1931, o horário de verão tinha por finalidade aproveitar a luz do sol e economizar energia nos meses mais quentes do ano. Apesar disso, um estudo divulgado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) demonstrou que a economia foi nula durante o horário de verão 2017/2018. Isso acontece porque, atualmente, a rotina da população é diferente. As pessoas costumam sair mais tarde de casa, além de usarem com frequência o ar condicionado, que puxa muita energia.

O Diário de Uberlândia entrou em contato com a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) para perguntar sobre a real economia de energia na região durante os últimos horários de verão, mas a empresa não quis se manifestar sobre o assunto.

De acordo com o professor José Rubens Macedo, da Faculdade de Engenharia Elétrica da UFU, no Brasil, o horário de verão representava uma economia de energia de aproximadamente 0,5%, o que é muito pouco para justificar toda uma mudança de hábitos. “Então por que outros países adotam o horário de verão desde muito tempo? A resposta é simples: a redução da energia, que é o que interessa para a economia, só é expressiva naqueles países de latitudes mais próximas dos polos, onde os dias são muito mais longos do que as noites durante os meses de verão. E isso, pelo menos na magnitude necessária, nós não temos aqui no Brasil”, explica.

Ainda assim, o horário de verão também deve terminar em continentes como a Europa. Em março deste ano, o parlamento europeu determinou que a mudança obrigatória no relógio não ocorre mais a partir de 2021. Agora, os países deverão escolher se ficam com o horário de verão ou o de inverno, permanentemente.

Nos Estados Unidos, o movimento é contrário: o horário de verão já dura oito meses e pode aumentar a partir de iniciativas de estados como Flórida e Califórnia. A ideia é que o horário dure o ano todo. Atualmente, só o Arizona e o Havaí não aderem à mudança anual de fuso.

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