Dois casais tiveram seus bebês trocados em uma maternidade de Trindade (GO), na última sexta-feira (26). O material para o teste de DNA foi colhido nessa segunda-feira (29), e os casais decidiram morar juntos até um resultado definitivo.
O nascimento dos bebês foi no dia 9 de julho no Hospital de Urgências de Trindade (Hutrin), município localizado na região Central de Goiás, e tiveram poucos minutos de diferença.
O caso foi descoberto após um dos pais desconfiar de ter havido erro, pois o bebê dele e da mulher, que são pardos, nasceu branco dos olhos azuis.
Com isso, o casal optou por fazer um exame de DNA independente. O teste indicou que nenhum deles tinha parentesco com o bebê. Quando o outro casal que teve um filho no mesmo dia e no mesmo hospital ficou sabendo da desconfiança, ele se manifestou.
Ao G1, o hospital emitiu uma nota (veja na íntegra abaixo), e disse que “tão logo foi notificado da suspeita de troca de bebês instaurou uma comissão sindicante para apurar o caso e afastou as pessoas que estavam de serviço no berçário nos dias dos nascimentos e os responsáveis pela alta das mães e das crianças”.
Além disso, afirmaram que estão realizando um teste de DNA para confirmar a história.
Casais estão morando juntos
Murillo Marquez Praxedes Lobo e Aline de Fátima Bueno Alves residem em Santa Bárbara de Goiás. Contudo, os dois vão passar os próximos dias na casa de Genésio Vieira de Sousa e Pauliana Maciel Aguiar de Sousa, que são de Trindade.
“A troca é o que eles [Polícia Civil] queriam, mas a gente não. A gente combinou que eu vou ficar na casa do Genésio até sair o resultado do DNA. É a melhor forma de as mães não sofrerem tanto. Agora, vamos ter que conviver juntos para sempre, viramos uma família enorme. Tive um filho e agora tenho dois”, relatou Murillo, pai de um dos recém-nascidos.
O pai do outro bebê, Genésio, disse que somente o exame de DNA poderá dar tranquilidade para as famílias.
“É muito desgastante. Estou com o psicológico e o emocional abalados. É muito doído, muito constrangedor. O erro começou no Hutrin. O que fiquei sabendo foi pelas pulseirinhas e as pessoas que estavam cuidando dos bebês e não quiseram reparar o erro no mesmo momento, mas não deram valor nos seres que estavam ali”, desabafou.
A sugestão dos casais morarem juntos partiu da Polícia Civil. Inicialmente, as autoridades já queriam fazer a troca, mas os casais preferiram esperar até a confirmação do DNA, que foi respeitado pela polícia.
Nota do Hospital Estadual de Urgências de Trindade Walda Ferreira dos Santos (Hutrin)
O Hospital Estadual de Urgências de Trindade Walda Ferreira dos Santos (Hutrin) esclarece de forma preliminar o seguinte:
– A direção do hospital tão logo foi notificada da suspeita de troca de bebês instaurou uma comissão sindicante para apurar o caso e afastou as pessoas que estavam de serviço no berçário nos dias dos nascimentos e alta de mães e crianças;
– Instaurou um processo ético-disciplinar para apurar responsabilidades no ocorrido;
– Manteve contato com a mãe e com o pai do bebê afim de elucidar o fato em todas as suas possibilidades;
– Notificou a mãe e o pai sobre a realização de exames de DNA para comprovar a paternidade e maternidade sobre a criança e estabeleceu como parâmetro a realização de outros exames visando contraprova do fato;
– Está realizando um completo levantamento de todos os nascimentos na data para eliminar todas as dúvidas;
– Está selecionando todas as imagens de circuito interno de TV para instruir a investigação e documentar as saídas de pais, acompanhantes e crianças nascidas nesse período;
– O instituto Cem, organização social gestora do Hutrin e a direção do hospital estão acompanhando com integral cuidado e respeito aos princípios éticos e de responsabilidade para com a saúde humanizada e tratamento aos pacientes atendidos na unidade”.
