No Brasil, nenhuma empresa chegou à bolsa em 2022 e 2023. Companhias perdem uma das formas de financiar investimentos e expansão, o que desemboca na ponta em menor atividade e redução da criação de empregos.
Mais um dos efeitos da alta recente de juros no Brasil foi o sumiço das ofertas públicas de ações, os IPOs. Depois de um recorde em 2021, com 45 ofertas, o país fechou o ano seguinte com nenhuma empresa se lançando à bolsa. E, neste ano, a tendência não é de melhora.
Até maio, nenhuma companhia brasileira decidiu listar suas ações, e muitas das que pretendiam se lançar não têm previsão de retomar os planos.
O assunto não interessa apenas ao mercado financeiro: é uma mostra de como um recurso importante para que empresas captem dinheiro e possam investir em planos de expansão se esgotou por condições ruins de mercado.
Um relatório da consultoria EY, antecipado ao g1, mostra que o mercado global de IPOs encolheu em 61% no volume financeiro movimentado neste primeiro trimestre de 2023, chegando a US$ 21 bilhões. Foram 299 IPOs no mundo todo, também uma queda de 8% em relação ao mesmo período do ano passado.
Quem encabeça a lista, porém, não poderia estar mais longe daqui: a região da Ásia-Pacífico foi responsável por 59% dos negócios globais de IPOs. Na região das Américas, da qual o Brasil faz parte, foram 40 negócios e US$ 2,6 bilhões em receitas, sendo 31 nas bolsas dos Estados Unidos.
Em suma, são menos empresas dispostas a investir, criar empregos e agitar os negócios.
Para Rafael Santos, sócio e especialista em IPO da EY Brasil, há uma mistura entre fatores internos e externos que paralisaram o mercado, e são questões que demoraram mais que o previsto para se resolver.
- Uma questão é a inflação persistente, que impede os bancos centrais de diminuírem o patamar de juros;
- Para o Brasil, houve ainda os adicionais de incerteza com as eleições presidenciais de 2022;
- e há as questões de arrumação das contas públicas e reforma tributária, que ainda estão no radar de investidores.
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