Podcast Educação Financeira conversou com empreendedores para entender como a falta de um produto ou serviço inspirou as ideias de suas empresas. Especialistas dá dicas para que novos empreendedores não errem logo no início da jornada.
Só no ano passado, cerca de 3,8 milhões de empresas foram abertas no país, segundo dados do Mapa das Empresas, do governo federal. Com tantos empresários tentando navegar em novos negócios, um dos desafios que mais trava o processo é pensar em como atacar uma lacuna que ainda não foi preenchida no mercado.
Para Fernanda Konradt, consultora do Centelha, um programa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação para a promoção do empreendedorismo no Brasil, uma das principais virtudes que destaca os bons empresários é o olhar atento aos problemas à sua volta.
"Para abrir seu próprio negócio, a pessoa precisa primeiro identificar um problema que precisa ser resolvido — e a gente sabe que, tanto no país quanto no mundo todo, problemas não faltam", comenta.Nesta semana, o podcast Educação Financeira conversou com empreendedores que pudessem demonstrar esse conceito: como a falta de um produto ou serviço fez com que as ideias de suas empresas nascessem.
O episódio traz as origens de uma marca de bebias alcoólicas com sabores focados no paladar feminino, uma empresa de absorventes orgânicos e um hospital veterinário com estrutura especial para maior privacidade aos tutores no cuidado com seus animais.
Nesta reportagem, os ensinamentos serão aprofundados e servirão para nortear quem quer seguir o mesmo caminho. Serão demonstradas as formas que os empresários puderam:
???? Identificando o problema
A empresa de absorventes orgânicos amai nasceu de desabafos entre as amigas Luri Minami e Erika Tomi. Luri sentia desconfortos durante a menstruação por conta dos absorventes, e a dupla observou que isso poderia ser uma reação alérgica que atingia outras mulheres.
Então, Luri e Erika expandiram as conversas e descobriram que muitas mulheres relatavam os mesmos desconfortos. A ideia foi desenvolver um absorvente com produtos e matérias-primas mais naturais.
Também foi por uma dor que surgiu o projeto do hospital veterinário AmarVets. O empresário Cesar Rosa precisou internar sua cachorra em uma clínica que não tinha espaços reservados de internação para cada paciente. O ambiente juntava tanto os que estavam se recuperando, quanto os que pioravam.
Pensando na angústia dos tutores, resolveu criar um hospital com atendimento e estruturas individualizados, com a possibilidade, inclusive, do dono passar a noite com o animal no espaço.
Já Deise Reis, Ellen Bernardi e Ivana Rebeschini faziam parte de um workshop de mulheres que apreciavam drinks, e perceberam que o mercado ainda não tinha nenhuma bebida focada no paladar feminino. Criaram, então, a marca de bebidas We Drink Lilac, com público-alvo bem definido.
São três exemplos práticos do que Fernanda Konradt, do Centelha, explica: as lacunas para empreender estão no dia a dia e é necessário um olhar atento para perceber as oportunidades.
???? Pensando em soluções inovadoras
A partir do momento em que o problema é identificado, o próximo passo é pensar uma solução. Uma boa solução é ir para a rua e conversar com as pessoas que enfrentam o mesmo desafio.
O Cesar, da AmarVets, conta que, enquanto sua cachorra estava internada, ele passou a frequentar a clínica todos os dias para ouvir as conversas dos corredores, além de conversar com clientes e funcionários.
Trata-se de uma pesquisa de campo, para entender o que podia ser melhorado no atendimento, o que seria um diferencial competitivo etc. Assim, ele percebeu que esse é um mercado que movimenta bastante dinheiro, e que havia espaço para que os clientes pagassem um pouco mais caro para ter uma experiência mais personalizada.
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