Atividades chegaram a ser retomadas no início de fevereiro, mas foram suspensas pela Justiça poucos dias depois. Veja o que dizem representantes das instituições.
Escolas particulares de Uberlândia e o sindicato que representa os estabelecimento de ensino pedem o retorno das aulas presenciais na cidade.
As atividades foram suspensas em março de 2020, chegaram a ser retomadas em fevereiro de 2021, mas foram novamente suspensas poucos dias depois após decisão da Justiça.
A interrupção das aulas presenciais foi acatada pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), que atendeu pedidos da Defensoria Pública e de professores, que solicitam a retomada do ensino em sala de aula, após vacinação de profissionais da área.
Entre os argumentos das instituições privadas estão a frustração da comunidade escolar e a garantia de segurança através de protocolos sanitários.
Já a Promotoria de Infância e Juventude sustenta que a falta de socialização pode gerar problemas na saúde mental de crianças e adolescentes (veja abaixo).
Escolas privadas
De acordo com a presidente do Sindicato das Escolas Particulares do Triângulo Mineiro (Sinep-TM), Átila Rodrigues, os planos de contingência preveem o retorno das atividades presenciais, conforme a situação epidemiológica de cada município. Cidades inseridas na Onda Amarela do plano Minas Consciente estão autorizadas para retomadas, porém, Uberlândia tem plano próprio.
“O seguimento de escola não tem sido levado ao comprometimento que ele exige, pois somos um serviço essencial e estamos prejudicando nossos alunos. Nossa preocupação é recuperar o aprendizado desses estudantes e dar a oportunidade do ensino presencial. São duas cidades no Triângulo Mineiro que estão fechadas para aulas presenciais, Uberlândia e Iturama”, disse a presidente.Segundo a diretora de uma escola privada de Uberlândia, Ana Flávia Garcia, a falta de atividades em sala de aula se torna frustrante para todos os envolvidos no processo de aprendizagem. Somente em 2021, cerca de 20% de pais de alunos entre 0 e 3 anos cancelaram a matrícula.
“É frustrante para nós, para as famílias, para as crianças, para nossos profissionais, que foram treinados para essa volta. Ouvimos muito as pessoas falarem que as crianças não vão usar a máscara, mas a escola tem esse papel social para essa conscientização das crianças. Nos poucos dias que pudemos funcionar em fevereiro, não tivemos problema com nenhuma criança”, afirmou Garcia.
Já, os pais alegam sobrecarga nas ações cotidianas e o desafio de tentar prestar assistência aos filhos durante as atividades remotas.
“Eu tenho que ficar ao lado do meu filho fazendo o acompanhamento em tempo integral da aula dele. Ele não consegue ligar o computador sozinho, não consegue acessar a plataforma digital sozinho. Se precisa de algum auxílio eu tenho que estar ali do lado”, pontuou a autônoma Heliara Nunes.Ministério Público
Para a promotora de Infância e Juventude do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), Aluísia Beraldo Oliveira, além das dificuldades enfrentadas pelos pais, alguns casos podem se transformar em situações mais sérias para as crianças. Segundo ela, a falta de socialização pode afetar a saúde mental do estudante levando, em alguns casos, até a depressão.
“A falta de escola não traz só a falta de socialização da criança, mas traz também falta de concentração, desestímulo para atividades do cotidiano, o isolamento, a depressão. A procura de cuidados com a saúde mental do município cresceu a níveis que antes não foram vistos”, disse Oliveira.A falta de atividades presenciais tem favorecido crimes envolvendo crianças e jovens. Conforme a promotora, entre março de 2020 e março de 2021, foram registrados 572 casos suspeitos de abuso sexual em Uberlândia e 392 de agressão física contra menores de 18 anos.
“O mínimo é denunciado, então, a escola é o primeiro pilar da rede de proteção e sem as aulas, que é onde a criança se alimenta, onde ela socializa, onde a criança é cuidada, o problema só tende a agravar”, concluiu Aluísia.
Educação durante a pandemia
As atividades escolares presenciais em instituições públicas e privadas foram suspensas em março de 2020 devido à pandemia de Covid-19. Quase nove meses depois, em dezembro, a Prefeitura de Uberlândia autorizou a elaboração do protocolo para retomada.
A cartilha com as medidas de segurança foi anunciada no dia 11 de dezembro.
No dia 14 de janeiro de 2021, a Câmara de Uberlândia realizou audiência pública para discutir o tema com pais de alunos, professores, diretores e proprietários de estabelecimentos de ensino. A secretária de Educação, Tânia Toledo, também participou do evento virtual.
Ano letivo em 2021
A volta às aulas no Município foi prevista para o dia 8 de fevereiro de 2021, mas a confirmação da data dependeria da situação epidemiológica do município. Segundo a Prefeitura, as salas de aula deveriam receber, no máximo, 50% da capacidade total de alunos. A outra metade deveria acompanhar as aulas remotamente.
Ainda segundo o Município, pais ou responsáveis poderiam escolher se mandariam ou não os alunos para as aulas presenciais. Quem não quisesse, seguiria no aprendizado remoto.
No início de janeiro, as entidades representativas de professores das redes municipal e particular de ensino de Uberlândia se posicionaram sobre o retorno das atividades presencias. Em 29 de janeiro, um grupo de profissionais manifestou contra o calendário presencial e alertou sobre os riscos na transmissão da doença e falta de vacina.
As aulas presenciais foram retomadas no dia 8 de fevereiro, porém, quatro dias antes a Defensoria Pública já havia recomendado o adiamento da data. A recomendação se transformou em ação judicial após a Defensoria não receber resposta da Prefeitura.
No dia 10 de fevereiro o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) acatou o pedido da ação e suspendeu as atividades presenciais, que desde então não puderam ser retomadas. No mesmo dia, o Município divulgou balanço dos primeiros dias de retorno.
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