Na mais recente 'disputa', a Rússia vetou os EUA, e os EUA vetaram a Rússia, deixando exposta a discrepância de opiniões entre membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU.
O lugar para onde o mundo volta os olhos na espera de uma solução para o conflito entre Israel e Hamas virou um campo de batalha com negociações (e vetos) envolvendo as mais diversas nacionalidades e poderes: o Conselho de Segurança da ONU.
É o que explica Tanguy Baghdadi, professor de Política Internacional na Universidade Veiga de Almeida e fundador do podcast Petit Journal, em entrevista ao podcast O Assunto desta quinta-feira (26).
"Nesse sentido, a ONU se mostra como um daqueles campos de disputa, aqueles campos de batalha que os olhos veem, que são as negociações que a gente está vendo, que vão ser televisionadas, que a gente vai saber qual é a posição de um, qual é a posição de outro."Na mais recente "disputa", a Rússia vetou os Estados Unidos, e os Estados Unidos vetaram a Rússia, deixando exposta a discrepância de opiniões entre membros permanentes (são cinco no grupo que, além dos dois países, tem Reino Unido, França e China).
A resolução norte-americana também foi vetada pela China que, assim como a Rússia, criticou a falta de um pedido por cessar-fogo no texto.
"Existe uma pressão muito grande para os Estados Unidos divergirem de qualquer coisa que a Rússia apresente, assim como existe uma pressão bastante grande no sentido contrário — qualquer coisa que os Estados Unidos apresentem, a Rússia vai vetar."
Nessa toada, outros nomes vão se juntando ao centro do palco na tentativa de destravar esse cenário, como fez o Brasil na semana passada.
"O Brasil chegou a tentar se apresentar, o Brasil fez uma proposta que imaginava que era de consenso, imaginava que era um consenso pelo fato de que os Estados Unidos não se manifestaram contra durante a negociação", explica Tanguy. [...] "E os Estados Unidos silenciaram para vetar no último momento."
???? Contexto para relembrar... Na quarta-feira da semana passada, dia 18, o Conselho de Segurança rejeitou, com o veto dos EUA, o texto proposto pelo Brasil que condenava os ataques terroristas do Hamas e cobrava de Israel — sem mencionar o nome do país — o fim do bloqueio à Faixa de Gaza.
"Então, o Conselho de Segurança ao longo dos últimos dias não pareceu ser exatamente um espaço propício para negociações. Ele parece ser muito mais o espaço no qual cada um vai colocar a sua posição, e que nesse momento é muito mais para reafirmar uma posição que cada país já tinha do que exatamente para ter algum tipo de exposição para abrir uma mesa de negociações."
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