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Jornada da Heroína propõe novo olhar sobre o adoecimento feminino e o enfraquecimento masculino

MARGARETH CASTRO

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Março chega com homenagens, flores e discursos sobre força. Mas, nos consultórios, o que cresce é o cansaço. Mulheres exaustas por dar conta de tudo. Homens perdidos entre a cobrança por desempenho e a dificuldade de acessar emoções. Para a psicóloga e terapeuta sistêmica Patrícia Naves Garcia, do IPNG, é hora de mudar a pergunta: que modelo de força estamos ensinando?

A partir da Jornada da Heroína, ferramenta terapêutica inspirada na obra da escritora e pesquisadora Maureen Murdock, Patrícia propõe uma reflexão sobre os papéis que a mulher assumiu ao longo das últimas décadas. A conquista de espaço foi histórica e necessária. O problema, segundo ela, é quando a independência se transforma em sobrecarga e a autonomia vira obrigação de ser impecável.

“Criamos a ideia de que a mulher precisa ser excelente profissional, mãe presente, companheira dedicada, filha disponível e ainda manter equilíbrio emocional o tempo todo. Essa construção da mulher maravilha não fortalece, ela adoece”, afirma.

Na prática clínica, a psicóloga observa sintomas recorrentes: ansiedade, culpa constante, dificuldade de impor limites e sensação de insuficiência permanente. Ao mesmo tempo, cresce o número de homens que relatam insegurança, medo de não corresponder às expectativas e dificuldade de encontrar seu lugar nas relações.

Para Patrícia, a discussão não é sobre disputa entre gêneros, mas sobre desequilíbrio de energias. “Quando falamos em energia feminina e masculina, estamos falando de aspectos internos que todos nós temos. A energia feminina está ligada ao cuidado, à intuição, à sensibilidade. A masculina, à ação, direção e proteção. O problema começa quando a mulher precisa performar apenas a energia masculina para ser reconhecida e o homem aprende a reprimir o lado sensível para não parecer frágil.”

A Jornada da Heroína propõe justamente o caminho de reconexão. Diferente da narrativa tradicional do herói, baseada em conquista externa, a jornada feminina passa pela reconciliação com a própria identidade, pela cura de feridas emocionais e pela integração dessas energias.

Quando o desequilíbrio vira violência

Em um cenário nacional marcado pelo aumento dos casos de violência doméstica e feminicídio, Patrícia defende que o debate precisa ir além dos números. Para ela, a violência é a expressão mais extrema de relações adoecidas e sistemas familiares em tensão constante.

“Não podemos analisar a violência apenas como um ato isolado. Ela é o resultado de relações construídas sem diálogo, com disputa de poder e ausência de equilíbrio emocional. Quando homens não aprendem a lidar com frustração e mulheres se sentem responsáveis por sustentar tudo sozinhas, criamos um campo de conflito permanente”, explica.

A terapeuta reforça que nada justifica a agressão. Mas compreender as raízes emocionais e culturais é fundamental para prevenir novos casos. Segundo ela, a idealização da mulher que suporta tudo e a dificuldade masculina em acessar vulnerabilidades alimentam relações desiguais e tensas.

“Enquanto a mulher acredita que precisa aguentar para provar sua força, muitas vezes ela silencia sinais de abuso. E enquanto o homem é educado a dominar e não a dialogar, ele pode transformar insegurança em agressividade. É um ciclo que precisa ser interrompido.”

Ao trazer a Jornada da Heroína para o centro da discussão em março, mês que marca o Dia Internacional da Mulher, o Instituto Patrícia Naves Garcia propõe uma reflexão que vai além da celebração. Falar sobre saúde emocional, limites e integração de energias é também falar sobre prevenção da violência.

 

“Não precisamos de mulheres maravilha. Precisamos de mulheres conscientes dos seus limites e do seu valor. E de homens que entendam que sensibilidade é maturidade. Relações equilibradas não nascem da força, nascem da consciência.”

Em um tempo em que desempenho virou sinônimo de valor, discutir a Jornada da Heroína pode ser o primeiro passo para reconstruir relações mais saudáveis e, sobretudo, mais seguras.Parte superior do formulário

 

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Sobre o Instituto Patrícia Naves Garcia (IPNG)

Com sede em Uberlândia (MG), o IPNG atua com formações e aperfeiçoamento de terapeutas, terapia sistêmica, grupos terapêuticos e desenvolvimento humano, promovendo jornadas de autoconhecimento e fortalecimento do femi

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