Ao todo, 916 pessoas responderam o levantamento. Confira outros dados sobre a comunidade na cidade.
Cerca de 44% das pessoas LGBTQIAP+ de Uberlândia afirmam já ter sido alvo de violência na cidade. O dado consta no "Perfil Socioeconômico e Demográfico da População LGBTQIA+", levantamento promovido pelo Conselho Popular LGBTQIA+ de Uberlândia e publicado nesta semana.
A pesquisa foi realizada de forma presencial e digital entre os dias 17 de maio e 17 de julho de 2022. Ao todo, 916 pessoas responderam ao questionário, que também coletou dados sobre idade, renda, escolaridade, entre outros.
"Esse monitoramento foi proposto com a finalidade de contribuir para a produção de conhecimento e para a formulação de políticas públicas fundamentadas em evidências e, consequentemente, o avanço dos direitos da comunidade LGBTQIA+ no município de Uberlândia", escreveram os organizadores da pesquisa, Sayonara Naider Bonfim Nogueira, Camila Barbosa de Paiva e Euclides Afonso Cabral.
Violência
- Segundo a pesquisa, 44% dos entrevistados afirmaram que já foram alvo de violência na cidade;
- O tipo de violência mais comum apontada pelos participantes foi a agressão verbal, seguida por homofobia, agressão física e violência psicológica.
- Outro dado coletado pela pesquisa foi o ambiente em que a violência ocorreu. Nesse contexto, a família apareceu como principal fonte das agressões, seguida pela escola ou faculdade e pelo trabalho.
- Apesar das dificuldades enfrentadas pelos participantes, apenas 2 a cada 100 entrevistados que disseram ter sido vítimas de violência registraram boletim de ocorrência;
- O levantamento também coletou depoimentos dos entrevistados, que narraram quais violências sofreram. Veja algumas das falas abaixo:
"Não consigo arrumar emprego por ser trans".
"Descrição no trabalho, agressão física em boates e bares, ameaças em locais públicos, perseguição no trabalho e violência psicológica".
"Já quase me barraram de entrar em lugares por causa da discrepância entre nome social (em ingressos, por exemplo) e o nome civil, ou olhares estranhos por causa da foto e do nome no RG".
"Já fui espancado por um membro da minha família mais de uma vez por minha orientação sexual e identificação de gênero".
Perfil
- Em relação à faixa etária, a maioria dos entrevistados declarou ter menos de 30 anos. Menores de 18 anos também participaram da pesquisa;
- No que se refere à etnia, 53,7% se autodeclararam como uma pessoa branca. Na sequência, por percentual, pardos (28,9%), pretos (15,3%) e amarelos (1,6%);
- Quanto à renda, quase 400 pessoas disseram que ganham entre um e dois salários mínimos por mês. Outros 200 disseram que não têm renda;
Fonte
