Custos para obtenção de visto e transporte público a quase R$ 500 dificultaram planejamento de torcedores. Fifa tem sido alvo de críticas por preços dos ingressos.
Assistir aos jogos de uma Copa do Mundo nunca foi barato, mas o Mundial nos Estados Unidos parece estar extrapolando os limites. Ingressos que podem chegar à casa dos milhões de dólares, custos elevados para conseguir um visto e transporte público que pode chegar a mais de R$ 500.
Para o público brasileiro, a Copa nas Américas – com jogos também no México e no Canadá – facilita em relação às sedes das últimas competições. O preço de passagens aéreas é menor do que foi para o Catar e a Rússia.
Entretanto, todo o resto da conta corre o risco de sair mais alto: hospedagens, transportes e restaurantes, além da tradicional gorjeta nos serviços, que chega a 20% nos Estados Unidos. Muitos torcedores desistiram da viagem.
“Quando é uma pessoa sozinha, ela se vira, vai no amor e fica no sofá de alguém. Mas quando é para quatro pessoas, a gente viu que muita gente não
Ao contrário de 2022 e 2018, quando o transporte público para os estádios era gratuito, desta vez os gastos com o trajeto terão de ser considerados.
vai conseguir ir porque o custo aumentou muito”, afirma Fernanda Zaguis, consultora em planejamento e gestão do Movimento Verde e Amarelo, que desde 2008 organiza a ida de brasileiros para as Copas.
Em Boston, o valor do trem para o Estádio Gillette, em Foxborough, a cerca de 50 km da metrópole, estará quase 10 vezes mais caro que o normal, num total de US$ 80 (R$ 400). A viagem de ida e volta no ônibus Express, reservado para portadores de ingressos, custará US$ 95 (R$ 475).
Em Nova York, o valor é semelhante. O custo será de US$ 100 ida e volta (R$ 500) para ir de Manhattan ao MetLife Stadium, em East Rutherford.
“Está todo mundo revoltado. Acho que vai ser até mais caro do que no Catar, que era um país caro, mas a gente não tinha que ficar mudando de lugar. Não tinha voos internos e economizamos nisso”, lembra Zaguis.
Os ingressos são outro problema. A partida final, em 19 de julho, não sai por menos de US$ 11 mil (R$ 54 mil) na plataforma oficial da Federação Internacional de Futebol (Fifa). Os mais caros disparam para US$ 2,3 milhões (R$ 11,5 milhões).
Essa tem sido a realidade desde que a entidade adotou um sistema de preços dinâmicos para aumentar os seus lucros, explica Pim Verschuuren, especialista em gestão do esporte e professor-associado da Universidade de Rennes 2, na França.
“Quatro anos de futebol são financiados em um mês de Copa do Mundo, mas existe o problema de manchar o discurso da Fifa de que o futebol deve ser o esporte mais popular do mundo, universal”, pondera.
“É verdade que essas tarifas excessivas permitem financiar o futebol, mas também financiam a própria Fifa, onde temos problemas antigos de governança. O dinheiro infelizmente não vai todo para os praticantes de futebol e a todos os que se envolvem com o esporte”, constata.
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