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Vape pode causar lesões pulmonares graves e dependência: evento em Uberlândia alerta para riscos escondidos por trás da

Aldair dos Santos

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Uso de cigarro eletrônico pode estar associado à perda de função pulmonar, dependência por nicotina, alterações no sono, riscos cardiovasculares e maior chance de iniciação ao tabagismo convencional

O cigarro eletrônico, conhecido popularmente como vape ou pod, deixou de ser apenas uma “moda” entre jovens e adultos para se tornar uma preocupação crescente de saúde pública e segurança. Apesar da aparência tecnológica, dos sabores atrativos e da falsa sensação de ser menos agressivo que o cigarro convencional, especialistas alertam: o vape não é inofensivo e pode provocar dependência, danos respiratórios graves e consequências de longo prazo para o organismo.

O alerta é feito pelo médico pneumologista Thulio Marquez Cunha, professor da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), pesquisador vinculado à Pós-Graduação em Ciências da Saúde, e idealizador do evento “Por Trás da Fumaça”. Segundo ele, o cigarro eletrônico ainda é visto por muitos usuários como uma alternativa moderna ou menos nociva, mas essa percepção pode esconder riscos importantes para a saúde.

Entre os riscos apresentados em estudos científicos estão a dependência química pela nicotina, a piora da qualidade do sono, alterações cardiovasculares, maior exposição a substâncias potencialmente cancerígenas e doenças pulmonares severas. A preocupação é ainda maior entre adolescentes e jovens, já que o uso do cigarro eletrônico também tem sido associado ao aumento da chance de iniciação ao tabagismo convencional e ao chamado uso dual, quando a pessoa passa a consumir tanto o vape quanto o cigarro comum.

De acordo com Thulio, os danos respiratórios associados ao vape podem ir muito além de tosse ou falta de ar. Entre os quadros estão a EVALI, lesão pulmonar associada ao uso de cigarro eletrônico, e a bronquiolite obliterante, conhecida como “pulmão de pipoca”, condição que compromete as pequenas vias aéreas e pode provocar perda importante da função pulmonar.

Danos reais à saúde

Para Thulio Marquez Cunha, o principal problema é que muitos usuários, especialmente adolescentes e jovens, não percebem a gravidade do que estão inalando. “O cigarro eletrônico não é apenas vapor. Ele pode conter nicotina, flavorizantes, metais e outras substâncias capazes de provocar inflamação, dependência e danos ao sistema respiratório. A ausência da fumaça tradicional não significa ausência de risco. Em alguns casos, o impacto pode envolver lesões pulmonares graves e perda de capacidade respiratória”, alerta o médico.

A preocupação é ainda maior porque o vape costuma chegar ao público jovem com uma estética menos associada ao cigarro tradicional. Dispositivos pequenos, aromas doces, sabores variados e a circulação em ambientes sociais ajudam a mascarar o risco. Segundo especialistas, essa combinação pode facilitar a iniciação precoce à nicotina e criar uma falsa percepção de segurança.

“Por trás da fumaça”

Para ampliar a discussão, Uberlândia recebe a pneumologista Margareth Dalcolmo, uma das principais referências brasileiras em saúde respiratória. Reconhecida nacionalmente por sua atuação médica, científica e pública, ela participa do evento para contribuir com uma análise técnica sobre os impactos do vape, especialmente em um cenário no qual o consumo entre jovens preocupa famílias, escolas, médicos e autoridades.

A programação também contará com a participação do pneumologista Thulio Marquez Cunha e do cirurgião-dentista Paulo Vinícius Soares, professor da Faculdade de Odontologia da UFU e pesquisador na área de Dentística e Materiais Odontológicos, ampliando o debate sobre os efeitos do vape para além do sistema respiratório, incluindo os impactos na saúde bucal. O encontro também terá profissionais da área de segurança pública, reforçando a necessidade de discutir o tema sob diferentes perspectivas: saúde, prevenção, juventude, fiscalização, comércio irregular e segurança pública.

No Brasil, a comercialização, importação, distribuição, armazenamento, transporte e propaganda de dispositivos eletrônicos para fumar são proibidos pela Anvisa. Ainda assim, os produtos seguem circulando de forma irregular, muitas vezes sem controle de origem, composição ou fiscalização sanitária.

É nesse contexto que será realizado o evento “Por Trás da Fumaça - uma conversa necessária sobre os riscos invisíveis do cigarro eletrônico”, no dia 24 de setembro, quinta-feira, às 18h30, no Castelli Hall, em Uberlândia. Aberto ao público, o encontro terá entrada solidária mediante a doação de 2 kg de alimento não perecível.

Serviço
“Por Trás da Fumaça - uma conversa necessária sobre os riscos invisíveis do cigarro eletrônico”
Data: 24 de setembro, quinta-feira
Horário: 18h30
Local: Castelli Hall - Uberlândia/MG
Entrada: 2 kg de alimento não perecível
Público: aberto à comunidade

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