Encontro foi mediado pelo jornalista Alan Severiano nesta terça-feira (29). Os temas mais presentes na campanha, como a privatização da Sabesp, os resultados da Educação paulista, as concessões no setor do transporte e os números do feminicídio também voltaram à tona.
Os candidatos ao governo de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) fizeram nesta terça-feira (29), na TV Globo, o último debate do 1º turno, em um encontro nacionalizado, pautado por enfrentamentos baseados em dados e ataques sobre impactos das gestões Bolsonaro e Lula, seus padrinhos políticos, no Brasil.
Em um primeiro turno sem nenhum outro candidato com representatividade no Congresso Nacional, os dois chegam à reta final da campanha concentrando as atenções na corrida pelo Palácio dos Bandeirantes.
Os temas mais presentes na campanha, como a privatização da Sabesp, os resultados da Educação paulista, as concessões no setor do transporte e os números do feminicídio voltaram à tona. A Prefeitura de São Paulo e seus contratos sob investigação também apareceram na fala de Haddad, e os pedidos de recuperação judicial de empresas durante o governo Lula, na fala de Tarcísio. O presidente da Argentina, Javier Milei, chegou a ser mencionado, mas Flávio Bolsonaro (PL) só apareceu nas considerações finais.
No início do debate, os candidatos discutiram segurança pública, tema que mais preocupa os eleitores de São Paulo, segundo as pesquisas. Eles divergiram e fizeram críticas a supostas alianças com pessoas suspeitas de envolvimento com o PCC, como o ex-vereador Milton Leite (União Brasil), preso neste mês, no caso de Tarcísio, e o vereador Senival Moura (PT), no caso de Haddad, também alvo de operação da polícia.
Enquanto o petista falou sobre a entrada do Comando Vermelho no interior do estado e a infiltração do PCC em instituições públicas e privadas, o governador
Haddad também citou problemas na segurança, como a alta dos casos de feminicídio e os roubos e furtos de celulares na capital.
"Nós estamos batendo recorde de feminicídio no estado de São Paulo. Recorde de crimes de natureza racial, recorde de intolerância com a comunidade LGBT. De cada 10 celulares roubados, no Brasil, três são roubados no estado de São Paulo; dois são roubados na cidade de São Paulo, e você está falando que tudo está melhorando. O crime organizado. O PCC se infiltrando nas instituições. Você teve que afastar o comandante que você nomeou."
Tarcísio, por sua vez, disse que a violência contra a mulher não é exclusividade de São Paulo.
"É uma questão nacional está acontecendo em todo o Brasil. Infiltração do crime tem em todo lugar. Vamos lembrar e a gente está combatendo, a gente está punindo, a gente está aprendendo. Vamos lembrar que recentemente um vereador do PT foi preso para a associação crime por lavar dinheiro numa empresa de ônibus. Isso não está ficando encoberto.
Convidado
Convidados de Haddad e Tarcísio acompanharam o debate no estúdio da Globo.
Do lado de Tarcísio, estavam André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP), candidatos ao Senado, deputado federal, Ricardo Salles (Novo), Felício Ramuth (PSD), vice-governador de São Paulo; o deputado federal; Baleia Rossi (MDB), Ricardo Nunes (MDB), prefeito de São Paulo; Edson Aparecido (MDB), secretário de governo da Prefeitura de São Paulo; e Guilherme Afif Domingos (PSD), secretário estadual de Projetos Estratégicos.
Antes do debate, Derrite conversava com Salles em uma roda. André do Prado, que estava próximo, se afastou quando Salles se aproximou do grupo. A cena ocorre um dia depois de Salles desistir da candidatura ao Senado e declarar apoio justamente a André do Prado e Guilherme Derrite.
A aproximação marca uma mudança na relação entre Salles e Prado, que protagonizaram alguns dos principais embates entre candidatos da direita durante a campanha. Salles chegou a acusar Prado de dividir o eleitorado conservador e, em debates e entrevistas, questionou sua atuação política e suas alianças. Em setembro, o TRE-SP também determinou a retirada de vídeos publicados por Salles contra Prado por considerar falsas acusações feitas pelo candidato do Novo.
Depois, na plateia, André e Salles só tiveram Derrite entre eles.
Entre os aliados de Haddad estavam Marina Silva (Rede), deputada federal e candidata ao Senado; Simone Tebet (MDB), ministra do Planejamento e candidata ao Senado; Márcio França (PSB), candidato a vice na chapa de Haddad; Edinho Silva (PT), presidente nacional do partido; e Marco Aurélio Carvalho (PT), coordenador da campanha em São Paulo.
Depois do debate, Nunes e o marqueteiro de Fernando Haddad, Otávio Antunes, bateram-boca. Nunes falou: "Foram bem nas picaretagens, hein?", em referência às críticas feitas por Haddad à gestão do prefeito. Antunes usou palavrões, como "vai se f*". Nunes ficou irritado e foi retirado do local.
Saúde
Ainda no primeiro bloco, Tarcísio escolheu o tema saúde e a região da Baixada Santista. Haddad usou a discussão para mencionar filas que, segundo ele, foram herdadas pelo governo Lula (PT) da gestão de Jair Bolsonaro (PL) durante a pandemia.
"Com a gestão da pandemia que vocês fizeram lá em Brasília no governo Bolsonaro. Você tem ideia do estoque de procedimentos represados por causa da pior gestão do mundo de uma pandemia que aconteceu aqui? 2,7% da população 10% de mortes por Covid no mundo."
O candidato à reeleição aproveitou para criticar a gestão de Haddad à frente da Prefeitura de São Paulo e afirmou que 9 das 10 metas do petista na área não foram cumpridas à época.
Tarcísio também nacionalizou o tema ao relacionar os atrasos na entrega da Linha 6-Laranja do metrô à Lava Jato.
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